quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sacrifícios para todos?

Mais uma demonstração do tipo de políticas e medidas que este governo nos tem vindo a presentear.
As notícias de ontem deram a conhecer que a tão falada e apregoada pelo governo, taxa especial sobre a banca ainda não pode ser aplicada por falta de portaria regulamentar. É caso para dizer que «porcaria».
O governo de Sócrates, que foi tão lesto a regulamentar a extinção do abono de família para milhares de portugueses, que foi tão rápido a aplicar a descida de 3,5% a 10% nos ordenados dos trabalhadores que não hesitou um segundo em aumentar as taxas de IRS e a contribuição para a caixa geral de aposentações, está a «atrasar-se» em aplicar a taxa à banca.
Querem maior exemplo do Robin dos Bosques ao contrário, do que este?
Rouba-se aos trabalhadores e popa-se aos poderosos!

Paulo «sopas» Amaral

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Portugal e o FMI.

Todos sabemos que o capitalismo cria crises sistémicas, para depois sair delas ainda mais forte e com mais poder.
Quem se dê ao trabalho de ler um pouco sobre o capitalismo e as suas crises, por si criadas, sabe que após uma crise capitalista, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres.
Nada de novo.
Ultimamente temos andando a ser bombardeados com notícias e comentários que é irreversível a entrada do FMI em Portugal, pois as medidas draconianas com que Sócrates nos implementou não são suficientes para que possamos sair da crise em que nos colocaram. Dizem os entendidos.
Pergunto eu, mas estas medidas que irão colocar no desemprego e na pobreza milhares de Portugueses não chegam?
Então o que falta fazer? Matar-nos à fome? Colocar os trabalhadores a pedir na rua? E quem é que lhes poderá dar uma esmola?
Estes senhores, serventuários do capitalismo e seus seguidores como Cavaco Silva, Durão Barroso, Guterres, Santana Lopes, Paulo Portas e Mário Soares «the last but not the least», foram os causadores da situação a que chegámos.
Venderam todo o nosso sector produtivo para que os grandes da Europa pudessem exportar para os mais pequenos como nós, permitiram que um país como Portugal com uma orla marítima como a nossa e com uma zona económica exclusiva tão grande, vendesse a sua frota pesqueira e deixasse de pescar, por outros interesses.
Ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, que ajudavam quem cultivasse as terras, os nossos governantes receberam dinheiro das instituições europeias para pagarem aos agricultores portugueses para não cultivarem as terras!
Assim como hoje, quando o FMI entrou em Portugal no final da década de 70 início da de 80, o desígnio que se coloca a Portugal é colocar o sector produtivo a funcionar. Colocar o sector produtivo com capacidade para satisfazer as necessidades dos portugueses, tanto em bens como em serviços.
Nenhuma economia consegue ser forte e imune aos ataques do exterior, se não tiver um sector produtivo forte!
Quando vemos o sector financeiro a sobrepor-se ao sector económico isso pressupõe custos elevados para o crescimento económico e para o emprego.
Parafraseando um discurso de Álvaro Cunhal de 1946, e substituindo a referência ao regime fascista que então se viva para os nossos dias, «Não é Portugal que é pobre. São os sucessivos governos desde o 25 de Abril, que têm sido incapazes de aproveitar as riquezas nacionais, e de encaminhar a economia nacional no sentido do progresso técnico, do aumento da produção, do maior bem estar das classes trabalhadoras».
Por isso, considero que o Socialismo é o caminho!
A construção do Socialismo permite que exista uma alternativa ao capitalismo. Que é possível, e imperioso, construir uma sociedade diferente que não se baseie na exploração da maioria do povo por classes exploradoras minoritárias.
Que sem grandes capitalistas, barões da finança, tubarões dos «mercados», um país pode desenvolver-se, tornar-se uma potência económica e ao mesmo tempo resolver os principais problemas da sociedade humana.
Foi o que aconteceu com a Revolução de Outubro na URSS. Os factos comprovam-no.

Paulo «sopas» Amaral

Porque não se calam!

O Presidente da República (PR) veio corroborar e até dar alvíssaras às palavras do fugitivo Durão Barroso, quando este disse que os estados deveriam estar calados perante a ofensiva dos "mercados" às dívidas soberanas desses mesmos Estados.
Ora, temos aqui a versão neoliberal do «por qué não te callas» do rei de Espanha a Hugo Chávez.
Segundo as palavras do PR e do seu benjamim, ou já ninguém se lembra que Cavaco Silva apelidou de seu seguidor o fugitivo e agora presidente da comissão europeia, todos devemos ficar impávidos, serenos e calados a ver os "mercados" a subtrair o nosso dinheiro!
Dizem estas sumidades do capitalismo, que devemos ficar calados, e bem caladinhos, perante o surripiar dos nossos salários, das nossas poupanças por parte de meia dúzia de nababos do capitalismo, perdoem-me a redundância, e nada fazer. Deixar roubar, e roubar e ficarmos calados.
Diz Cavaco Silva e o fugitivo seu seguidor, que é contra producente Portugal por interposta voz dos seus trabalhadores, falarem contra «os nossos credores que são as companhias de seguros, fundos soberanos, bancos internancionais e cidadãos espalhados por esse mundo fora», seja lá o que isso for, mas com isto também dizem que temos que nos calar perante o enriquecimento descomunal dos grandes grupos económicos e dos bancos enquanto a maioria dos trabalhadores vêm os seus ordenados baixarem.
Os Europeus deviam assumir como sua palavra de ordem, contra estes governantes que nada fazem a não ser encher os seus bolsos, a frase tão proclamada pelo rei de Espanha: "Por qué não se callam!"
Que sistema é este, que permite que poucos tenham muito e muitos tenham muito pouco?
Deixem-nos viver com dignidade!
Permitam que possamos dar aos nossos filhos, o mínimo de condições para que possam crescer naturalmente!

Paulo «sopas» Amaral

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Que raio!

Que moralidade existe nestes governantes?
Que coragem é que um primeiro-ministro tem quando retira à maioria das famílias o abono de família, até às que menos auferem, e depois se diz incapaz de impedir que um representante da República como é o Presidente do Governo Regional dos Açores, não cumpra uma lei da mesma República?
Será isto o governo e as políticas que precisamos?
Será isto um PM com capacidade para governar Portugal e os Portugueses?
NÃO! Nem este PM nem estas políticas são as necessárias para que possamos evoluir e aumentar a nossa produtividade!
Com governantes deste calibre, que olvidam o sector produtivo do nosso País, não iremos a lado nenhum.
Por isto, penso que apenas um partido poderá ajudar Portugal a sair deste marasmo em que nos encontramos.
Um partido coerente com os seus valores e princípios. Um partido que tenha como valor principal a defesa dos trabalhadores, e que não olvide os nossos agricultores, pescadores e industriais como têm sido esquecidos ao longo de 30 anos.
Um partido que coloque os interesses nacionais acima dos interesses da UE e dos seus seguidores que apenas olham para o seu umbigo e esquecem os outros Países.
Um partido que tenha em vista apenas um considerando: que Portugal produza, como já produziu, que os agricultores voltem a ter terras para cultivarem, que os pescadores voltem a ter barcos de pesca para irem ao mar e que os pequenos e médios industriais possam ter meios para fazer o que melhor sabem e querem!
Vamos dar uma oportunidade a um partido que sempre defendeu os valores de Abril, que sempre defendeu e lutou pelos que menos têm e podem!
Esse partido é o Partido Comunista Português!

Paulo «sopas» Amaral

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O OE e os mercados

Quando não havia certezas acerca da aprovação do OE para 2011, para alguns pois para mim a aprovação com voto favorável ou abstenção do PSD estava mais do que certa, os comentadores e opinadores oficiais do regime afirmavam todos os dias e em todas as situações que isso nos prejudicaria perante os mercados.
Foram efectuadas várias tentativas para dramatizar a situação ao máximo. Que o FMI vinha aí, que o BCE iria entrar em Portugal com toda a força, que as taxas de juro não baixariam e iríamos sofrer as consequências como a Grécia e mais recentemente como a Irlanda e que saíriamos todos ainda mais prejudicados, etc, etc, etc.
Teceram loas ao OE e colocaram no topo do mundo o líder do PSD porque ele iria salvar o País com a abstenção do seu partido na votação do OE.
Enfim, balelas e mais balelas!
O que se viu no fim de tudo foi que após a divulgação das medidas preconizadas no OE, as mais duras de sempre para a classe trabalhadora, e após o PSD ter dito que viabilizaria o OE os mercados, seja lá isso o que for, não deixaram Portugal em paz como tanto foi apregoado pelos opinadores e paineleiros do regime.
Agora, dizem os nababos da Europa, os mercados não descansam enquanto não tiverem a certeza que a execução orçamental seja efectuada como está estipulado no OE!
Então em que é que ficamos?
Quando é que estas incertezas dos mercados em relação a Portugal acabam?
Quando é que nós, trabalhadores, que em nada contribuímos para este tipo de situação, podemos ficar descansados e nos permitem alguma qualidade vida?
Eu respondo!
Quando tivermos a força suficiente para mudar completamente de políticas!
Quando conseguirmos colocar Portugal a funcionar como determina a CRP, em que o poder económico tem que estar sujeito às determinações do poder político e não ao contrário!
Quando permitirmos que deixe de haver uma sociedade sem exploradores e sem explorados!

Paulo «sopas» Amaral

O FMI e a repartição da riqueza

Os responsáveis pelo FMI vieram a terreiro afirmar que a crise económico-financeira que o mundo está a atravessar só será ultrapassada quando houver uma maior repartição da riqueza, quando a diferença entre ricos e pobres não for tão acentuada.
Isto se fosse afirmado por alguém do meu espectro político, não veria nenhuma hipocrisia, não via nestas palavras nenhuma incongruência com a prática.
Agora quando isto é dito de forma apodíctica pelos senhores do dinheiro, pelos responsáveis e até fomentadores das crises cíclicas do capitalismo deixa-me com «a pulga atrás da orelha»!
Vindo de quem vem esta análise ao sistema capitalista, esta análise à situação actual devemos ficar estupefactos perante tanto descaramento, tanta pouca vergonha!
Os responsáveis maiores pela crise que os países ditos periféricos, como Portugal, estão a atravessar vêm agora preconizar soluções que há muito estão identificadas pelos verdadeiros defensores dos trabalhadores e de quem menos tem. Que tudo isto só é ultrapassado quando houver, de facto, uma repartição da riqueza, quando deixar de existir exploradores e explorados e quando existir politicas em defesa dos trabalhadores de todo o mundo, os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento dos países e os únicos que não têm nenhuma responsabilidade nas crises cíclicas que o mundo tem atravessado!

Paulo «sopas» Amaral

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NATO,NATO e mais NATO

Desde sempre, a NATO teve como objectivo primordial afirmar o poder do imperialismo, muito particularmente o imperialismo norte-americano.
Inicialmente a NATO tinha como orientação politico/militar o eixo anti-comunista, pois o bloco politico/militar do leste europeu, apelidado de Pacto de Varsóvia, era o grande inimigo do bloco ocidental, a NATO.
Desde a sua fundação a NATO teve como base uma grande presença militar dos EUA. Aliás, a NATO serviu basicamente para fortalecer o poder dos EUA perante a Europa e os restantes países do mundo. Parafraseando um antigo presidente dos EUA, General Eisenhower, fazendo com que várias forças armadas dos países membros participassem na aliança, isso só por si, garantiria lucros fabulosos ao «complexo militar-industrial» dos EUA.
Por aqui podemos constatar qual o interesse dos EUA em manter esta aliança em vigor e cada vez mais activa.
Quer se queira quer não, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, não é mais do que uma ferramenta da dominação política, militar e económica dos EUA e dos interesses globais do capitalismo.
Historicamente, a NATO, servia para defender o ocidente do leste, como já referi.
Mas, como explicar que após a queda do mundo socialista, a NATO deixasse de ter essa vertente e esse carácter defensivo e iniciasse a sua grande cavalgada expansionista em direcção aos antigos países de leste e às fronteiras da ex-URSS?
A explicação só pode ser uma.
A NATO com a alteração do seu conceito estratégico, (em 1999), ultrapassou as fronteiras do seu espaço natural, o «euro-atlantismo», para se projectar como força bélica vocacionada para intervir no plano global.
Existe um dogma em relação à NATO que não pode passar em claro.
A aliança atlântica tem mantido sempre acesa a chama da sua utilidade. Desde a «ameaça comunista», à «defesa da democracia», passando pela «intervenção humanitária» ao já estafado «combate à Al-Qaeda» e ao «terrorismo», é extenso o rol de pretextos que ao longo do tempo se sucederam para justificar o papel belicista da NATO.

Paulo «sopas» Amaral

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O BCE o BdP e os salários

No jornal de negócios online está uma notícia que diz que o Banco Central Europeu (BCE) tece duras criticas ao governo português pela intromissão deste na política salarial do Banco de Portugal (BdP).
Ficámos a saber que para os senhores do BCE existem duas politicas salariais e dois métodos de baixar os défices.
Um, restritivo com baixa de salários, de apoios sociais, de reformas e pensões em que a qualidade e o nível de vida dos trabalhadores podem ser postos em causa sem qualquer tipo de problema, e outra política de bolsa aberta, em que poderão ser os próprios gestores, neste caso o governador do BdP, a decidir se aumenta o seu próprio salário ou não. Com o risco de, se não for ele próprio a decidir do seu aumento salarial, colocar em causa a autonomia da instituição bem como o seu desempenho nas funções que lhe estão cometidas. Como se o BdP fosse o paradigma de bom desempenho das funções que lhe estão confiadas.
Veja-se o exemplo do BCP, do BPN e do BPP...
Ora, para muitos nada, para poucos tudo.
Mais hipocrisia e descaramento do que este não há!

Paulo «sopas» Amaral