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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Orçamento do Estado

Estive ontem a ver um fórum acerca do OE para 2010. A meio do fórum, apareceu a líder do PSD a dizer que em nome da estabilidade e do interesse nacional e da defesa das gerações futuras (?) Manuela Ferreira Leite iria propor ao grupo parlamentar do PSD (então MFL também não faz parte desse grupo?) que se abstivesse na votação do OE, permitindo assim a viabilização do documento. Resta saber se a abstenção do PSD é construtiva, destrutiva ou de trazer água no bico.
Bom o que me apraz registar da declaração de MFL é os termos que agora tanto estão em voga. Estabilidade, interesse nacional e defesa das gerações futuras. Da geração actual que tenha algum futuro, conforme as coisas estão, duvido que alguém lá consiga chegar. Quanto à estabilidade é mais uma das mistificações que alguns dos nossos políticos andam a divulgar para safarem os seus lugares.
Quanto às negociações para a viabilização do OE penso que foram tudo menos isso. Foram amenas conversas, em que alguns dos intervenientes como já não se viam a algum tempo aproveitaram para por a conversa em dia, pois segundo a imprensa do fim de semana, o CDS muito antes de se dar início às negociações já tinha decidido pela viabilização do OE.
Quanto ao PSD, as negociações serviram para alguns barões virem mais uma vez dizer mal da líder, e para outros se mostrarem nas grandes salas do poder. Veja-se o caso de António Borges.
O PS, depois de se vitimizar na AR dizendo por diversas vezes que quem tinha que governar era quem tinha ganho as eleições, neste caso limitou-se a fazer o que antes tinha dito que não fazia. Colocar no OE reivindicações (?) dos outros partidos da direita.
E este é de facto um OE virado à direita!
Nas privatizações, uma das bandeiras das políticas de direita, este OE irá continuar a alienar os nossos já parcos recursos, pondo em causa a nossa soberania e agora sim, as gerações futuras.
Quanto aos impostos, segundo o que se sabe e que é pouco, não irá haver aumento dos impostos, mas já há cinco anos também essa era uma das bandeiras do PS e depois foi o que se viu. Sou de acordo que se aumente os impostos mas para a banca pois os lucros astronómicos que têm apenas pagam uma ínfima parte de imposto, e para as grandes empresas que podem pagar um pouco mais de impostos, pois quando se fala em sacrifícios, esses são sempre para os trabalhadores. Como no caso da banca, que defendo um aumento do IRC, também as mais-valias bolsistas deveriam pagar IRC, pois não se compreende que quem viva da especulação bolsista, sem nada produzir ganha milhões e não pague impostos como quem trabalha.
Assim, era provável que aparecessem as verbas necessárias para o desenvolvimento do País e para uma política económica e fiscal mais justa.
Uma última nota.
Enquanto que o PSD e o CDS andaram aos ziguezagues nesta questão do OE no que diz respeito à coerência de princípios e valores vindo agora dizer que é pelo interesse nacional que viabilizarão o OE, o PCP manteve a coerência, os valores e os princípios sempre em nome dos trabalhadores e das pequenas e médias empresas, que são de facto quem tem mais a perder com a continuação desta política que vem sendo seguida há mais de trinta anos.

Paulo «sopas»Amaral

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O resultado das eleições legislativas II (PSD)

O PSD de Manuela Ferreira Leite (MFL) obteve um resultado praticamente idêntico ao que Santana Lopes obteve em 2005.
Só que Santana Lopes foi a eleições numa conjuntura muito mais desfavorável para si e para o PSD do que a que existia antes destas eleições. Santana Lopes tinha acabado de ser demitido do cargo de primeiro-ministro que exerceu após a fuga de Durão Barroso para o el dorado de Bruxelas que como diz a sabedoria popular, a Santana Lopes o governo, caiu-lhe nos braços sem saber ler nem escrever. A acrescentar a isto Santana Lopes teve que se haver com um artigo de opinião demolidor de Cavaco Silva que destruiria qualquer líder do PSD. Ainda assim, Santana Lopes obteve cerca de 28% dos votos.
Nestas eleições, e como atrás disse numa conjuntura muito favorável o PSD obteve 29% de votação. E o que se ouve da líder do PSD. Esperemos pelos resultados das autárquicas!
O PSD, perdeu estas eleições. Não aproveitou o élan da vitória nas eleições europeias, também não soube tirar partido, eleitoralmente claro está, da crise em que o PS mergulhou o País ainda antes da crise internacional, nem retirou vantagem do profundo descontentamento que reinava em Portugal. Por tudo isto penso que o PSD teve uma pesada derrota eleitoral.
Não tanto pelos valores pois até aumentou o número de deputados, mas pelo que não soube aproveitar da conjuntura que se vivia no país.
MFL não saiu da liderança do PSD, mas posso concluir deste resultado, e também pelo do CDS-PP, que os militantes e simpatizantes do PSD já a demitiram.

Paulo «sopas» Amaral

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

As listas do PSD para a AR.

Aguardei este tempo desde a divulgação das listas de candidatos a deputados do PSD, para ver o que a comunicação social dizia acerca do afastamento de Passos Coelho dessas listas.
O que li surpreendeu-me, ou não!, e denota bem o branqueamento e o «levar ao colo» que a comunicação social pretende fazer a Manuela Ferreira Leite.
Para mim o que a presidente do PSD fez foi claramente expurgar Passos Coelho do PSD.
Em política o que parece é e de facto Ferreira Leite recorreu a um processo para remover um militante do seu partido, que a contrariou e concorreu contra ela para presidente do PSD, das listas a deputados nas próximas eleições legislativas.
Se isto não é uma purga, então não sei.
O que sei é que se este processo se tivesse verificado no PCP toda a comunicação social empregaria esta palavra para descrever o que tinha sucedido, á semelhança do que disseram aquando do afastamento de uma deputada do PCP pelo distrito de Santarém, erradamente, mas dando ênfase suficiente para que quem não saiba de como se processa o convite para deputados do PCP ficasse com a ideia de que se tinha expurgado a senhora.
Esta situação denota o facto de que a comunicação social pretende fazer com os partidos políticos que se candidatam ás próximas eleições. Bipolarizar o debate, ostracizando o PCP e a CDU, para que não sejam debatidos os verdadeiros problemas que afectam a nossa sociedade.

Paulo «sopas» Amaral